CRCE 0069/2026
Central de acesso a informações públicas, serviços oficiais, documentação de referência e recursos relacionados às áreas de atuação do Ecossistema Dünya's.


ECOSSISTEMA DÜNYA'S
FARAVAHAR • TACTICAL • AOMUNB
Plataforma institucional que reúne iniciativas de responsabilidade social, cooperação internacional, pesquisa, desenvolvimento comunitário e projetos de interesse público.

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Nossa história, instituições, trajetória, projetos e ações desenvolvidas ao longo dos anos.
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CARTA ABERTA DA PRESIDÊNCIA AO MUNDO
Antes de conhecer a DÜNYA, conheça aquilo que a inspirou.
A você que chegou até estas páginas,
Antes que você conheça a DÜNYA, seus projetos, seus sonhos, seus caminhos e tudo aquilo que ainda estamos construindo, existe algo que preciso fazer primeiro: agradecer.
Não aos cargos.
Não aos títulos.
Não às instituições.
Às pessoas.
Porque algumas das coisas mais importantes que construímos na vida não nascem de planos perfeitos.
Nascem de encontros, conversas, conflitos, encantamento e perguntas que simplesmente não nos deixam em paz.
Às vezes, nascem até do amor e do ódio.
E talvez seja justamente por isso que algumas histórias sejam tão difíceis de explicar.
Antes da DÜNYA, houve um caminho.
A DÜNYA Tactical já existia. Depois veio a criação da Faravahar Tactical.
E foi a partir dela que uma nova necessidade começou a nascer dentro de mim: transformar parte daquele caminho em responsabilidade social, cultural e ambiental.
Foi assim que nasceu a DÜNYA Faravahar – Responsabilidade Social, Cultural & Ambiental.
O que começou como uma necessidade tornou-se projeto.
O projeto encontrou pessoas.
As pessoas trouxeram perguntas. As perguntas exigiram respostas. As respostas exigiram trabalho. E o trabalho, pouco a pouco, transformou-se em responsabilidade.
Hoje, aquilo que começou como uma ideia tornou-se um ecossistema.
Mas seria injusto contar essa história como se eu tivesse construído tudo sozinha.
Eu construí. Mas não construí no vazio.
Construí a partir daquilo que vivi, aprendi, questionei e senti.
Construí também a partir de pessoas que, em momentos diferentes, deixaram marcas em mim.
Existe uma parte dessa história que talvez seja difícil explicar.
Eu sou uma mulher autista.
E, para muitas pessoas autistas, determinados assuntos podem despertar um tipo muito particular de fascínio, um interesse profundo e persistente que nos leva a querer compreender cada detalhe de um universo.
Para algumas pessoas, são os dinossauros. 🦕
Para outras, mapas, astronomia, trens, história, idiomas ou máquinas.
Na minha história, esse lugar foi ocupado pelo Irã,
E, através dele, pelos iranianos e, pouco a pouco, pelos povos e pelas culturas do Oriente Médio.
Eu não sei dizer exatamente quando isso aconteceu. Só sei que comecei a querer conhecer: a história, a cultura, a língua, a medicina, a música, a comida, as famílias, os costumes, as diferenças, as semelhanças e, principalmente, as pessoas.
Quanto mais eu conhecia, mais difícil se tornava aceitar as simplificações.
Um país não é seu governo.
Um povo não é uma manchete.
Uma cultura não é um estereótipo.
E uma pessoa jamais deveria ser reduzida ao lugar onde nasceu.
Talvez esta seja a explicação mais honesta que eu possa oferecer para uma conexão que, muitas vezes, nem eu mesma consigo colocar completamente em palavras: os iranianos são para mim os meus dinossauros, eu me apaixonei pelo conhecimento antes de compreender que ele poderia se transformar em missão em paixão.
O fascínio tornou-se estudo.
O estudo tornou-se vínculo.
O vínculo tornou-se responsabilidade. E a responsabilidade tornou-se construção.
E então existem três nomes que eu precisava honrar.
Amir Rahimi.
Ashkan Rasolpour.
Amin Amerian.
Meus meninos...
Escrevo isso com carinho, mas também com responsabilidade.
Não os apresento como fundadores da DÜNYA.
Não os apresento como representantes do Irã ou de qualquer outro povo.
Não atribuo a eles aquilo que é meu.
A DÜNYA é uma construção pela qual eu respondo.
Mas também não vou cometer a injustiça de apagar aquilo que eles significaram no caminho que me trouxe até aqui.
Cada um deixou uma marca.
Cada um de uma maneira, em um momento, com sua própria personalidade, sua própria história, seus próprios acertos e erros. Talvez nenhum dos três tenha imaginado que determinadas experiências comigo poderiam chegar tão longe.
Mas chegaram.
Amir
Amir me inspirou a olhar para a comida para além do alimento. A pensar no que significa não faltar comida na mesa de quem está perto de nós. A entender que alimentar alguém também pode significar cuidado, dignidade, proteção e pertencimento.
Uma inspiração aparentemente simples encontrou dentro de mim um caminho enorme. Vieram ideias, projetos, cozinhas, planos de segurança alimentar, pessoas e muitas perguntas sobre como transformar comida em instrumento de cuidado, e não apenas em uma refeição, mas em segurança alimentar a muitas e muitas famílias.
Talvez Amir nunca tenha imaginado até onde essa inspiração chegaria.
Mas chegou.
Ashkan
Ashkan me fez olhar para a saúde de outra maneira.
Ele me inspirou a pensar nos direitos dos imigrantes à saúde no Brasil e a lembrar que uma pessoa não deixa de merecer cuidado porque atravessou uma fronteira.
Também me levou a olhar com mais profundidade para a medicina esportiva e para nossos atletas em formação: o corpo, a mente, a alimentação, o desempenho e, principalmente, a pessoa que existe por trás do atleta.
Uma pessoa que precisa ser cuidada antes de ser cobrada para performar.
Esse olhar também encontrou lugar naquilo que a DÜNYA passou a construir. aprendi a confiar no invisível.
Amin
Amin me ensinou algo completamente diferente.
Com seu jeito único de ser, pensar e enxergar o mundo, ele me mostrou a importância de assumir a responsabilidade pela realidade que eu mesma estava criando. Sem pronunciar um único verbo, o olhar e a postura dele chacoalharam as minhas certezas, desarmaram o meu ego e me ensinaram a batalhar pelos meus objetivos. Sou muito grata por isso.
Com ele, compreendi que liderar não é possuir um território, mas sim responder pelo impacto do que entregamos ao mundo. Não agimos como donos de um mundo, mas como quem responde por aquilo que coloca nele. Se escolhi edificar um projeto, preciso ter a bravura e a coragem para cuidar dele, defendê-lo, corrigir os erros, sustentar as escolhas e assumir todas as consequências com o olhar firme.
Foi exatamente essa vivência que me formou como Presidente. Entendi que o cargo não vem de uma coroa simbólica que alguém nos entrega, mas sim da prontidão para dar conta do trabalho real que precisa ser feito.
Obrigada por ser o "T-REX" — ou melhor, o "TIO-Rex" — do meu ecossistema mental.
Obrigada por existir.
Talvez esta seja a parte mais importante desta carta.
Não quero romantizar o passado.
Não quero fingir que todas as histórias foram simples.
Não foram.
Existiram carinho e irritação.
Admiração e discordância.
Aproximação e distância.
Amor e ódio.
Existiram coisas que me fizeram sorrir e coisas que me fizeram querer arrancar os cabelos.
Humanos são particularmente talentosos em transformar sentimentos contraditórios em histórias complicadas.
Mas, olhando hoje para tudo o que aconteceu, consigo enxergar algo que talvez só seja possível compreender depois de algum tempo: nem tudo precisa ter sido perfeito para ter sido importante.
Alguns encontros não existem para permanecer iguais para sempre.
Existem para nos transformar.
E vocês me transformaram.
Não porque tenham planejado isso.
Não porque tenham pedido isso.
E muito menos porque sejam responsáveis por aquilo que fiz depois.
Mas porque, em algum momento das nossas histórias, vocês despertaram em mim perguntas, sentimentos e ideias que eu não consegui simplesmente abandonar.
E eu escolhi fazer alguma coisa com tudo isso.
Esta é uma carta de honra.
Eu poderia escrever páginas inteiras falando de cooperação internacional, integração cultural, desenvolvimento social, saúde, esporte, ciência, segurança alimentar, meio ambiente e todas as outras palavras que fazem parte da linguagem institucional da DÜNYA.
Tudo isso é verdadeiro.
Mas não seria a história inteira.
Porque, antes de existir uma missão, existiu encontro.
Antes de existir um projeto, existiu curiosidade.
Antes de existir uma instituição, existiram pessoas.
E algumas pessoas deixaram sementes, que germinaram em me coração.
A DÜNYA não nasceu para falar pelo Oriente.
Nasceu no Brasil para construir com pessoas.
Para aproximar aquilo que parece distante.
Para criar possibilidades onde antes havia desconhecimento.
Para transformar diferenças culturais em possibilidades de encontro.
Para lembrar que fronteiras podem separar territórios sem precisar separar seres humanos.
Por isso, aos iranianos que cruzaram meu caminho, minha gratidão.
Aos afegãos, iraquianos, paquistaneses e aos tantos outros povos da Ásia e do Oriente Médio cujas histórias ampliaram minha maneira de enxergar o mundo, meu respeito.
A todos aqueles que compartilharam comigo suas culturas, suas famílias, suas dificuldades, seus sonhos, suas alegrias, suas dores e suas maneiras de enxergar a vida: alguma coisa de vocês ficou aqui.
Não como apropriação.
Não como representação indevida.
Não como pretensão de falar por quem não sou.
Como inspiração.
E a vocês três...
Amir, Ashkan, Amin.
Talvez vocês nunca compreendam completamente a dimensão que tiveram na pessoa que me tornei.
Talvez nunca tenham imaginado que determinadas conversas, momentos, provocações, ensinamentos e até determinadas dores pudessem atravessar tantos anos e chegar tão longe.
Mas chegaram.
E eu não quero deixar isso apenas dentro de mim, algumas gratidões precisam ser ditas.
Esta é uma delas.
Eu poderia simplesmente seguir em frente e guardar tudo comigo.
Mas não quero.
Porque existe dignidade em reconhecer quem nos inspirou.
Existe grandeza em agradecer.
E existe honestidade em admitir que, às vezes, aquilo que nasceu de sentimentos confusos pode produzir alguma coisa extraordinariamente bonita.
O amor e o ódio não destruíram tudo.
Em algum lugar entre os dois, entre as conversas, os conflitos, as diferenças, os aprendizados e os silêncios, alguma coisa permaneceu.
E eu transformei aquilo em construção.
Transformei em trabalho.
Transformei em responsabilidade.
Transformei em uma instituição.
Transformei em um lugar onde outras pessoas possam encontrar aquilo que tantas vezes procuramos na vida:
uma ponte.
Por isso, meus meninos, esta carta é minha maneira pública de dizer:
Obrigada.
Obrigada pelo que ensinaram.
Obrigada pelo que despertaram.
Obrigada até pelo que foi difícil.
Porque nem tudo aquilo que nos transforma chega até nós em forma de presente.
Algumas coisas chegam como conflito.
Outras como pergunta.
Outras como dor.
E algumas chegam como amor.
Mas, quando temos coragem de olhar para trás sem negar o que sentimos, podemos descobrir que até aquilo que parecia impossível de compreender contribuiu para nos tornar quem somos.
Eu sei o que recebi.
E sei o que fiz com isso.
Que Deus abençoe seus caminhos, suas famílias, seus projetos, suas escolhas e tudo aquilo que ainda está por vir.
E talvez, algum dia, nossas vidas voltem a se encontrar ao redor de uma mesa.
Sem pressa.
Com café.
Com histórias.
Talvez possamos olhar para trás e rir de algumas coisas que um dia pareceram impossíveis.
Talvez possamos conversar sobre aquilo que ainda pode ser construído.
Porque aprendi que uma ponte não perde seu significado quando alguém chega ao outro lado.
Ela continua existindo para que outros também possam atravessar.
Este café fica como convite.
Não como dívida.
Não como obrigação.
Como gratidão.
A vocês, minha gratidão.
Aos povos do Oriente, meu respeito.
Ao Brasil, meu compromisso.
Àqueles que me inspiraram, minha honra.
Àqueles que me desafiaram, meu aprendizado.
Àqueles que caminharam comigo, meu carinho.
Thamires Pouseiro Karpuz - Presidente
DÜNYA Faravahar – Responsabilidade Social, Cultural & Ambiental
E a você, que chegou até aqui:
Seja bem-vindo.
Antes de conhecer a DÜNYA, agora você conhece um pouco daquilo que a fez nascer. Conheça o que fizemos com aquilo que recebemos.
Conheça as pessoas que encontramos pelo caminho.
Conheça os projetos que transformamos em realidade.
Conheça também aquilo que ainda estamos aprendendo a construir.
Porque esta instituição não nasceu pronta.
Ela nasceu viva. E enquanto houver pessoas dispostas a construir pontes, cuidar umas das outras e transformar inspiração em responsabilidade, haverá caminho.
O mundo que construímos está diante de você.
Com amor, respeito, gratidão e responsabilidade,

